quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Mensagem aos Visitantes - Message to Visitors

Diário de Bordo em 27 de outubro de 2011

On English

Dear Visitor,


I have seen in the statistics of my blog that you guys are from different countries, such as:


Brazil - 4927
U.S. - 415
Portugal - 123
Argentina - 92
Germany - 42
Japan - 22
Vietnam - 12
France - 11
Spain - 10
Switzerland - 8


Please leave a short message of their passage through the blog. It would be very interesting to know them.
 
Thanks!



Em Português

Caro visitante,


Tenho visto nas estatísticas de meu blog que voces são de diferentes países, como:


Brasil - 4.927
Estados Unidos - 415
Portugal - 123
Argentina - 92
Alemanha - 42
Japão - 22
Vietnã - 12
França - 11
Espanha - 10
Suíça - 8


Por favor, deixem uma pequena mensagem de sua passagem pelo blog. Seria muito interessante conhecê-los.


Obrigado!

Boa navegação a todos!

Capitão Gutemberg.
Comandante da Embarcação Odyssey.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Expedição Antártica 2011 - 10º Dia - Enterprise Island - Ancorado a contrabordo do veleiro Marie Pôrles

Diário de Bordo em 31 de janeiro de 2011 - Segunda-feira

10º Dia de Expedição


Temperatura: 0°C
Céu: encoberto com chuva e neve
Vento: 170° Bb polar
V.Vento: 5.4Kn
V.Desl: ancorado a contrabordo do Marie Pôrnes
Dir: Enterprise ISL
Bar: 919 hpaMar: liso(canal)
Coord: 64°32.400’S - 61°32.400’W

Ainda chove lá fora e com essa chuva Oleg não quer navegar. Seria sair de algum lugar em que já chegamos seguros para outro que não sabemos como iremos encontrá-lo, em que pese KOTIC já ter mais de 50 expedições por aqui.


“O hoje está sempre aqui. O ontem foi para algum lugar que eu não conheço, e o amanhã virá de onde não sei”


Tomamos café, limpei minha cabine, conversamos um pouco à mesa. Tédio! Absoluto tédio!


Você tem que conviver num espaço restrito com pessoas que eu nunca havia visto a mais de onze dias atrás. Cada um fica em seu espaço fazendo algo. Todos eles são fotógrafos, editores e afins. Eu sou Policial Militar e a Adriana que é coordenadora de parques florestais em SP. Mais ou menos ligada ao Estado. São todos muito cool.

Conhecem todos os artistas, lugares do planeta, cada um é um pouco melhor que o outro.

Ricardo é gaúcho. Já conheceu muitos países e viveu em alguns deles. Foi para os EUA e lá aprendeu a profissão de fotógrafo.

André está com seu filho Gabriel de onze anos e se casou à 2 anos com sua atual esposa. Gabriel é filho de outro relacionamento de André, por isso mesmo é mimado pelo pai, se parece com um gato. Gabriel é super culto e já fez um monte de coisas. Até já saltou de paraquedas, e olha que é bem novo. André é uma das melhores pessoas, sempre procura dar alguma dica na boa; sem se aparecer. Ele também é muito amigo do Fernando, meu companheiro de quarto.


Eu todo encapuzado de frio

Dá uma olhada no estilo do Oleg...todo a vontade...

Igor, Fernando, André e um pesquisador Ucraniano que não me lembro mais o nome. estamos na Base de Vernadsky, da Ucrânia.

a Adriana e um integrante da Base Ucraniana.

Fernando na última viagem (ele e André realizaram uma outra viagem para a Antártica com o Oleg, dois anos atrás) creio que era casado com uma tal Fernanda. Todos falam muito dela. Não está mais, já é outra namorada.

O outro casal a bordo são Bene e Maristela. Ele é piloto e tem um pequeno avião em Americana, perto de casa, mas sua profissão é consultor de fotografia. Ela é profissional nisso. São bacanas. Ele e eu conversamos bastante. Eles são os mais próximos de Oleg e Sophie e Igor. 
Sophie contemplando a paisagem...parece que ela nunca esteve aqui...mostra o quanto ama isso!
Sophie lê com freqüência quando não está na cozinha ou fazendo alguma outra atividade do barco. Como disse antes, ela junto com o Oleg e Igor são de fato a tripulação do Kotic. Ela é culta e muitíssimo educada. Deve ter seus quase sessenta anos. Não sei ao certo, a vida no mar envelhece as pessoas. Fica difícil precisar. Tem energia de 25 anos. O Oleg descobriu outro dia (a Sophie nos confidenciou isso) que está com quase 75 anos. O cara tem energia de um jovem de 30... tem que ver ele coçando os cabos das velas com uma mão só. Outra coisa: ele sai lá fora só com uma japona surrada e SEM luvas e nós quase congelando. é louco ver essas coisas...muito a se aprender. Um verdadeiro Lobo do Mar...um VELHO LOBO do Mar.


Le Captain... Olha ele sem luvas conduzindo o Kotic no Canal de Gerlache...

Igor está com vinte e sete anos e tem muitas expectativas na vida. Tem trabalhado em diferentes projetos com o Beto Pandiani de travessias disso ou daquilo. Hoje ele mora - ao menos alguns meses - em Lyon, na França.


A família Oleg vive do chartes do Kotic.


Belle Sophie!

Me parece que temos a possibilidade de sairmos desse buraco por volta das 12:00 hs – 14:00hs. O veleiro que está ao nosso lado Marie Pôrles também sairá. Outros mercadores de viagens. Franceses...


A rotina a bordo tende ao ostracismo. Muito bom para os cultos. Alguns estão lendo revistas em Frances, inglês, espanhol e português e até agora, pouco antes de vir acabar de escrever no... camarote, ouvindo música clássica e depois alguémcolocou uma b...de música onde o cara geme em sei lá, qual língua.


Descobri: Sou um troglodita!!!!


O capitão Oleg tem um CD com músicas populares e sambas das antigas. Fantástico!!!!


Difícil é conseguir coro para ouvi-las.


O céu está completamente, cinza e encoberto e chove e neva lá fora. Um grupo vai desembarcar para andar um pouco. Obá! O barco ficará mais vazio.


A falta de sol no céu afeta o soldado dos trópicos. Aqui falta cor. Falta calor da família. Pedi, recebi. É diferente de tudo que podia sequer imaginar. Vai ficar a recordação para as futuras gerações da nossa família.


As coisas aqui são por demais interessantes na natureza. As pessoas a bordo também. Só é necessário se adequar e entendê-las. Não entre em seus universos. Passe ao largo.


Como vocês sabem, eu nunca tinha visto neve. É a coisa mais legal vê-la do céu. Parece cinza de queimadas, porém menores e mais claras. Elas caem suavemente e vão tomando conta de todo o cenário. Andamos na neve da montanha e logo depois os passos estavam sendo cobertos pela neve que caía. É uma beleza diferente.

 Aqui dentro cada um tem um projeto diferente. Ricardo, o gaúcho, está trabalhando em um projeto sobre os povos comunistas e como eles estão se adequando à abertura ao ocidente. O que isso tem a ver com Antártica até agora, não entendi. Creio que nada, apenas veio para se divertir. Pelo que ouvi ele se separou da mulher recentemente e já tem namorada e etc e deve ter vindo para cá descansar. Conhece muitos países. Foi recentemente a China e a Mongólia.


André e Fernando trabalham num projeto de fotos em 3D. Está legal o trabalho deles. São excelentes fotógrafos, como os demais. Vejo os ensaios em seus laps e está ficando uma coisa de louco. Espero que eles publiquem mesmo esse livro. Será um belo serviço à sociedade brasileira.


A Maristela – pelo que entendi – está escrevendo um livro que deve ser sobre a família Oleg. Bene lhe faz companhia.


Adriana é diferente, e isso causa certo desconforto aos demais. Eu não ligo. Vim até o final do mundo para conhecer coisas diferentes e estou tendo a oportunidade de conhecer pessoas diferentes (do que eu conheci até hoje) também. Não tem filhos, creio que nunca foi casada, vive com os pais e tios (ainda não sei ao certo), envolvida com questões ligadas a defesa do meio ambiente. Acho que está só viajando. Ainda são poucos dias para conhecer todo mundo.


Família Oleg está se capitalizando para subir ao Polo Norte, depois de 25 anos aqui no sul. Eles moram em uma cidade do Uruguai que se chama Carmelo, vivem no barco, embora a propriedade tenha mais de 60km2. Não tem casa.


Meu projeto? Não sei. Mais alguns dias e tenho certeza que algo surgirá. Meu livro talvez.


Frio???? Imagine...


Conhecer tantos estilos de vida diferentes tem mexido com minha cabeça. É algo surpreendente isso. Faz refletir porque tanto?talvez meu projeto seja reforçar minha marca. Explorar é absolutamente embriagante.


Amanhã é o aniversário da Rita! 01 fev.11 – 45 a!


Escrever usando caneta e papel também tem causado seu impacto. Penso antes de escrever pois ficará indelével marca nestas folhas de meus pensamentos. Eu já não me lembrava mais de como era minha letra quando usada por tanto tempo. Cansa mais. É um processo mais lento, como tudo neste canto de mundo. Aqui tudo é muito mais devagar. Você ouve sobre as pessoas. Você lê. Você ouve música (que gosta e que não gosta) você observa gestos e atitudes. Você escreve. Você começa a se importar com coisas que lá fora são absolutamente, dispensáveis. Você pensa e pensa muito. Em tudo e todos. Tenho lembranças de colegas de infância que jaziam num canto escuro de minhas memórias.

Eu, Aristides (Jr), Mauro e Zé Luiz em nossa formatura de 8ª série
 Creio que aos poucos estou carregando minhas baterias.


Gabriel e Fernando

Agora são 21:36 hs e vim aqui deitar. O Ricardo e outros vão sair de bote até a ilha ao lado. Minutos antes de me deitar, medi a temperatura da água do mar e do ar: -2,5°C.

Jantamos uma massa com molho vermelho e outro branco. O Bene mais uma vez, ajudou a Sophie na preparação. Institui o “palmas para a cozinheira”, a bordo.


A conversa ao redor da mesa, como sempre, são livros e filmes. Estou muito desatualizado; que horas esse pessoal vê tantos filmes, vai a tantos shows, lêem tantos livros e ainda viajam a trabalho e ou trabalham?


Essa é a popa do Kotic onde fazíamos nossas refeições. Vemos (da esq p dir) Ricardo, Fernando, Oleg, Igor, Maristela, Bene, Sophie e Adriana. Vinho não faltava nunca, queijos e presunto cru...hummmm

Sophie me falou de um livro sobre o Estreito de Magalhães e me afiançou que vou gostar. Vou pegar a referência e procurarei comprar para ler.

Tomei um Golden Label (18 anos) com o Oleg hoje de novo.


Chegamos aqui em curveville Island, as 17:30h saímos de Enterprise exatamente as 14:00hs. Ao sairmos havia um iceberg enorme que acabamos dando uma volta completa nele.


Isso tudo é um único bloco de gelo. A parte maior lembra um coelho...

No caminho até aqui esfriou muito e estamos com uma temperatura média de -2°C frio pra caramba. Aqui estamos navegando a motor. O mar é liso e não há ondas. Fica fácil. Não dá enjôo.

Amanhã, provavelmente, iremos para Dorian Bay. Lá mesmo com esse tempo dá pra andar e visitar vários lugares a pé.

Aqui não dá nem para sair do barco. O confinamento é quase completo.


Continua nevando lá fora. O que era novidade ontem, já começa a incomodar. O pessoal que veio junto já esteve aqui em 2009 e pegaram isso aqui com um belo sol. Tudo fica muito mais bonito. Eles tiraram muitas fotos bacanas.

Vamos orar para a melhoria do tempo.

Boa noite.

OBS* pegamos um pedaço de iceberg para tomarmos com whiskie. Esse gelo de acordo com o capitão Oleg, tem milhares de anos. Você pode ouvir as microbolhas de ar se soltando do gelo em pequenos estalidos. Sensacional poder ter feito isso.

Continua...



Boa navegação a todos!

Capitão Gutemberg.
Comandante da Embarcação Odyssey.


Oleg, Igor, Maristela, Bene e Sophie. Era aniversário da Maristela.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Expedição Antártica 2011 - 7º Dia - Deception Island - 2º dia

Diário de Bordo em 28 de janeiro de 2011 - Sexta-feira

 

7º Dia de expedição


Temperatura: 2°C (por volta das 12:00 hs)
Céu: encoberto por nuvens
Vento: NNE
Velocidade do vento: não aferido
Direção deslocamento: ancorado em Telephone Bay (interior da Deception Island)
Velocidade de deslocamento: ancorado
Barômetro: 993 hPa
Condição do mar: liso
Coordenadas: 62°55’67.3" S; 60°41'040"W
Local: interior de Deception Island


Sai bem depois do café com um grupo de fotógrafos para irmos até uma velha base que foi derretida pela erupção que ocorreu aqui em 1967 e 1969.


O que restou da Base. Note os ferros retorcidos pela lava...


Caminhamos muito, sempre pela orla interna da enseada. Há muito gelo escondido por debaixo das cinzas vulcânicas.


DECEPTION ISLAND não tem esse nome ao acaso. Pelo que diz o OLEG, DECEPTION é totalmente diferente de tudo que é ANTÁRTICA. DECEPTION está mais para solo lunar – ou de Marte, do que para algo já dentro da Confluência Antártica.


Vai dizer que não se parece com os filmes de Marte...


DECEPTION é monocromática, se você desconsiderar o céu (quando aberto como ontem) e as águas do mar.


Essa enseada principal possui várias outras pequenas enseadas, como a que pernoitamos ontem, chamada TELEPHONE BAY.


Quando acabávamos de contornar uma dessas enseadas, eu e RICARDO demos de cara com uma foca enorme deitada em plena siesta. Logo a seguir vimos outra e até a base derretida foram apenas essas.


Ricardo realizando suas fotos. Note a mistura de gelo com cinzas na parede à frente.


Os pingüins que existem aqui são chamados de PINGUINS DE BARBICHA. Existem muitos tipos de pingüins e pelo que entendi cada qual habita no seu lugar ou em ilhas diferentes.


De fronte com a base derretida – iteralmente derretida, havia outro veleiro grande.


Era de tripulação francesa também. Acenei nossa bandeira – a Mãe Gentil – para eles e logo vieram nos conhecer.


Estão no mar a bastante tempo. Uma família enorme.


O Kotic veio nos buscar onde estávamos e embarcados prosseguimos para uma ESTAÇÃO BALEEIRA abandonada, quase na entrada de DECEPTION.


Depois de várias tentativas de sucesso, com o ramo do mercado de óleo de baleia essas estações foram fechando na sequência.


Visão da Base abandonada e destruída em partes pela erupção.


Aqui, a INGLATERRA estabeleceu então uma Base de pesquisas científicas e até um pequeno aeródromo, com hangar e tudo. Boa parte dessas instalações foram igualmente destruídas por aquelas erupções vulcânicas. O tempo tem preservado essas instalações. Passa uma sensação de desolação andar por ali.

Lado interior da Base baleeira

Queria caminhar sozinho, então fiz uma programação diferente. Boa parte do grupo foi conhecer uma pinguineira do outro lado de uma baita montanha de gelo. Fiquei aqui com ANDRÉ e FERNANDO e GABRIEL, filho do ANDRÉ, que estão tentando fazer imagens em 3D, com isso, fui caminhando até o final da praia (?) onde há um buraco nas montanhas que fecham toda DECEPTION.


Esse buraco se chama NEPTUNE WINDOWS, ou JANELA DE NETUNO. Ela fica bem na direção da PENÍNSULA ANTÁRTICA. Subi até sua borda para ver o oceano Antártico. Só não me falaram que ali foi “o” ou “um dos” olhos da erupção. Tinha uma parede de pedra enegrecida pela lava de aproximadamente uns 80 metros de altura e do outro lado quase igual, mas mais baixo.


Note as paredes enegrecidas da rocha... e contrastando o azul do mar... lindo e forte!

Detalhe da água...


Lá embaixo em mar de raro verde. Olhando lá de cima para o lado interno de DECEPTION, entendi que aquelas pedras – algumas enormes e outras nem tanto, na verdade foram cuspidas pelo vulcão.


O chão é fofo e de pedrinhas bem pequenas que me lembravam as que são usadas pra asfaltamento.


A visão daquele buraco foi impressionante. Imediatamente me ajoelhei e adorei ao meu Deus. Como é grande e poderoso o Deus a quem sirvo.
Eu sei que não é preciso ver esse tipo de coisa pra conhecer a obra de Deus, mas isso me despertou me renovou para a grandeza de sua obra. Com certeza vou olhar de forma diferente para as pequenas flores que existem em meu jardim. Emocionei-me ao ver aquela cratera e me emociono novamente ao lembrar daquilo.

O buraco que restou na montanha por onde saiu lava...

Ao Senhor de Israel e pai do meu Senhor Jesus, toda honra e toda glória pra sempre!

Mais uma vez meus joelhos se dobraram diante do tamanho daquelas paredes recortadas que nada mais são do que jatos de lavas endurecidos, e sentado me lembrei de Sodoma e Gomorra. As pessoas incrédulas e pecadoras sendo queimadas pelo fogo que caía do céu. A ordem dada a Ló (gênesis 19:12-22) era de que saísse daquela cidade com sua mulher e duas filhas e nem olhasse para trás e fez cair sobre Sodoma e também Gomorra enxofre e fogo. Porém sua mulher não resistindo, olhou para trás e se transformou em uma estátua de sal (Gn 19:26)

“Senhor, desejo em Ti uma vida nova. Não desejo tornar-me uma estátua de sal por olhar para minha vida anterior e desejar o que ficou no ...Novo em Cristo quero estar. Novo em Cristo desejo permanecer. Tudo que ...o Senhor tem me dado e não há nada, nem um grão de areia de minha vida anterior que possa ser mais valioso que servi-lo. Amém!"

Desci até a prainha e fui sendo seguido por uma família de pingüins. O sol que desde cedo estava escondido, apareceu. O Senhor ouviu meu louvor e minhas preces. Os pingüins são engraçados. As famílias dos pingüins são engraçadas. Você observa, claramente, quem são os pais. Normalmente são mais baixinhos e gordinhos que os demais....(risos)

Família de pinguins. São muito curiosos e amistáveis.
Papai e Mamãe pinguins...

Parecem tropas nas águas e não medem esforços para fazerem peripécias para a gente. Creio ter ficado a menos de um metro e meio deles, por várias vezes. Como em terra são bem mais vagarosos que o humano, eles logo entravam na água e 'voavam' até a minha frente onde saíam e faziam pose tipo: ei forasteiro! De onde você é?

Bem próximo do local onde havia desembarcado na praia, tinha uma enorme foca dormindo. Andei quase quatro horas e ela ainda lá. Aproximei-me a uns dois metros dela e nada de acordar. De repente olhei melhor e achei tê-la reconhecido. Não é que se parece, muito, com Dona Batata, a Cindy? A mesma carinha. Por isso que acreditei que seja fêmea...não sei...

Fala ai se não parece a Cindy dormindo? hahahaha

Caminhei pelas ruínas e andei no gelo, que ainda há por aqui, embora seja verão. Fiz bolas com ele e joguei no espaço, como se fosse algum dos meninos, no João Pedro eu acho. Gostaria que ele estivesse aqui pra eu jogar uma bola de neve nele.

Fui até o alto de um morro e lá embaixo uma enorme bacia seca. Não haverá fotos desses lugares, porque minha bateria, simplesmente, acabou.

Dali vi o Bene, que é aviador, entrando no hangar abandonado. Não resisti desci, sorrateiramente, até a parte detrás e joguei uma pedra no teto que é todo de zinco. Aquele barulhão lá dentro...(risos, muitos risos)...Bene saiu correndo lá de dentro que nem um louco achando que ia desabar tudo...ai, ai, que dor de barriga em lembrar de tanto rir. Mesmo assim, Bene que estava com o ..., solicitou o boto pra me pegar na praia.

Para provar que eu estive lá...

Restos da matança de baleias que essa ilha presenciou. Ao fundo pode-se ver o Neptune's window

Ossadas e mais ossadas, fora as que foram jogadas dentro das águas.

Belo dia.

Belo reencontro com meu Deus.

Orei por todos vocês, de casa e meus amados irmãos em Cristo.

O Senhor esteja com todos vocês, como tem estado comigo, aqui. Amo vocês Rita, Fê, Gu, João, Tosco e agora também Mel, Lari e Alice...e todos os demais, manas, cunhas, sobrinhada a lot...

Vidas em Deception Island

Pinguin Gentoo ou de Papua

Skua

Foca de Weddell

Pinguim de Barbicha
Nascimento de uma gramídea (creio eu). Só vi aqui. Na Península não tem absolutamente nada de verde in natura, claro.

Continua...


Boa navegação a todos!

Capitão Gutemberg.
Comandante da Embarcação Odyssey.

Expedição na Antártica 2011 - 8º Dia - Saída de Deception Island e Enterprise Island

Diário de Bordo em 29 de janeiro de 2011 - Sábado



12:00hs saída Decepcion


Temperatura: -1°C

Céu: encoberto com chuva/neve
Mar: liso
V.Vento: 17 Kn
V.Desloc: 6 Kn (aproximadamente)
Dir: Decepcion Isl
Bar: não aferido



As 12:00 iniciamos os procedimentos, dentro de Decepcion Isl, para rumarmos em direção a península Antártica, até uma pequena ilha chamada Enterprise, que está colada a outra maior de nome.


O tempo na saída estava tranqüilo e enquanto o barco tem curta velocidade de navegação, eu consigo ficar de pé ajudando em algo. Começou a navegar abaixo dos 6 Kn (aproximadamente 11,112 Km/h). Nossa perna teria entre 100 Mn e 120 Mn. Algo em torno de 20 horas de navegação. Nossa navegação foi, aproximadamente, de 104 Mn.(191,29 Km)


Enterprise Island depois de 20,30 horas de navegação...a 5 Kn

Primeiros Seabergs já entrando para o abrigo de Enterprise Island

Visão panorâmica do convés do Kotic

Lado interno de Enterprise Island

Outro Seaberg

Ficamos ancorados ao lado do veleiro MArie P'ôle e ao lado desse pesqueiro naufragado

Atracando a contrabordo do Marie P'ôle. Veja o naufrágio
De fato próximo das 8:30 (30jan) chegaríamos em Ilha Enterprise, 20:30 hs de navegação.


Permaneci a maior parte desse tempo, deitado em minha cabine entre arrepender-se e motivando-se com a viagem. Uma coisa é certa e clara para mim com exatos 10 dias fora de casa: é muito tempo sem a Rita e os meninos.


Vou ficar muito tempo pensando nas coisas. Senti saudades das broncas da Rita nos meninos, por causa da bagunça e outras bobagens. A Rita precisa ter essa oportunidade de se abstrair da casa para pensar sobre isso.


Noite muito tumultuada. O barco range bastante. Oro para que amanheça logo.

Continua...



Boa navegação a todos!

Capitão Gutemberg.
Comandante da Embarcação Odyssey.

Expedição Antártica 2011 - 6º Dia - Estreito de Drake - Deception Island

Diário de Bordo em 27 de janeiro de 2011 - quinta-feira


Temperatura: 0°C
Céu: aberto
Vento: leve
Velocidade do vento: 10.5 Kn
Direção deslocamento: Deception Island
Velocidade de deslocamento: 7.5 Kn
Barômetro: 994 hPa/993.7 hPa
Condição do mar: ondas quebradas, mas menores
Coordenadas: 62°55’67.3" S; 60°41'040"W
Local: Estreito de Drake com Snow Island por bombordo



As 03:15 hs ouvi muito barulho e percebi que o mar estava mais amistoso e me levantei. Também não agüentava mais. O Oleg estava no leme e me mostrou uma ilha que se parecia com uma nuvem no limiar do céu com o mar. Uma alucinação. Detalhe: 03:15 h e há luz. Essa ilha que está em nosso Be e em nosso Bb está SNOW ISLAND.


Snow Island
Em nossa proa DECEPTION ISLAND. Previsão de chegada próxima das 10:00 horas. Fui para a cama e dormi gostoso. O mar estava mais tranqüilo. Levantei pelas 09:00 horas e estávamos com a DECEPTION em nosso Bb. Gigantesca.

DECEPTION ISLAND é engraçada. Ela é uma ferradura com uma pequena abertura por onde você passa para seu interior. Quase uma lagoa, mas grande. No fundo, de quem entra, bem no fundo, há outra enseada muito menor. Entramos nela e o Oleg jogou a proa na areia.


Formação de Deception Island no radar do Kotic... uma ferradura

Outra curiosidade daqui é que é uma ilha de formação vulcânica que teve sua última atividade em 1967, onde se gerou exatamente essas pequenas lagoinhas onde estamos.

Aqui é rocha e rocha moída. Ah! Tem neve também. Mas como estamos no verão apenas resquícios dela.

Hoje pela manhã fui à terra dar graças à Deus pela sua bondade e grandeza. Depois disso corri atrás de uma foca peleteira. Ela que perdia seu couro para os caçadores. Também subi num morro próximo e pude tirar algumas fotos incríveis de toda a baía interna de DECEPCION.

Há uma estação baleeira abandonada de muito e há também duas estações meteorológicas, sendo uma argentina e outra chilena. NA: na verdade espanhola, fiquei sabendo depois.

Ficamos todos esses dias sem conseguir usar o telefone iridium.

Hoje consegui usar o aparelho e falei com a MELISSA que atendeu a ligação. Já na seqüência falei com a RITA. Depois liguei novamente para poder falar com a RITA, FE e com o JOÃO. Todos estão bem, graças a Deus. Fico bem também.

Creio que ficaremos imóveis aqui até amanhã a noite ou a tarde. Depois iremos até a Península Antártica.

Ah! As 03:30 horas e depois as 10:30 horas aproximadamente vi baleias. Muito rápido mas as vi. Primeiro percebi um esborrifo de água em meio ao mar e na sequência a cauda da primeira. A segunda vi por duas vezes suas costas. Pinguins já são pardais. Petréis e outras aves tantos.

São 17:06 horas com 1000 hPa, subindo a pressão, céu azul de pouquíssimas nuvens e muito frio seco lá fora.

O IGOR está limpando os traseiros de carneiros. Um o BENE pediu para fazer e vai deixar marinando em vinho até amanhã.

Vou convidar a RITA para vir até USHUAIA me esperar chegar e irmos embora juntos.

Continua...
Boa navegação a todos!

Capitão Gutemberg.

Comandante da Embarcação Odyssey.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Expedição à Antártica 2011 - 9º Dia - Enterprise Isl

Diário de Bordo em 30 de janeiro de 2011 - Domingo - Dia do Senhor

T: -2°
Bar: 972,9hPa
Céu: encoberto com chuva/neve
Mar: Liso
Vento: 8,4Km – 4,7Km
Coord: 64°32.400’S; 61°59.914’w Enterprise Isl
V.Vento: 90°E Polar
V.Desloc: atracado a contrabordo do veleiro
Dir:

“Amado Senhor, rendemos graças a Teu nome e ao nome do Teu filho e Nosso Senhor Jesus, neste Teu dia. Junto, em pensamento, com meus irmãos, elevo louvores a Ti. Que o Teu nome seja bendito, entre todas as pessoas. Contemplando Tua obra neste lugar desolado e distante, entendo Tua grandiosidade. Louvores, louvores sejam dados a Ti. No nome santo de Jesus. Amém!”

Por volta das 07:00h, vi meu primeiro iceberg. Não era muito grande, mas denúncia a proximidade com a Península Antártica. Estamos próximos do nosso alvo e abrigo que se chama Enterprise.

Ao chegarmos na posição, encontramos um veleiro, de franceses, que já havíamos encontrado na Ilha Decepcion, atracado a contrabordo de um velho naufrágio, de um barco baleeiro. Atracamos em seu contrabordo.

Até aqui, nenhuma vida marinha a vista, salvo uma foca de Weddel provavelmente, ou Peleteira, nos observando ao longe. ..., há também um grupo de aves, Skua e Petréis por ali.

Levantei-me com fome. Não comi, quase nada, nas últimas vinte horas de navegação. Descobri que o Meclin dá sono, sim. Está na bula.

O cardápio a bordo deve ser um capítulo a parte nestes comentários. Basicamente é o seguinte:

Café da manhã: pão italiano esquentado em fatias na frigideira, manteiga, geléias de morango e pêssego (que Sophie faz), leite, chocolate, café e chá.

Almoço: já comi várias coisas. Arroz, lentilha, sopa de legumes e refogado com legumes, saladas de batata, beterraba e verduras. Cenoura, muita cenoura. Tomate, macarrão ao sugo (sem carne), onde eles colocam creme de leite.

Jantar: mais ou menos as mesmas coisas. Durante todo o tempo você tem acesso a pão, fruta, queijo, vinho e cerveja. As 19:00hs o Capitão Oleg me convida sempre, para um gole de wiskie. Não pude acompanhá-lo por vários dias. Por estar navegando ou por estar mareado pelas travessias.

Como frutas: temos pêssego, laranja e maçãs (normais ou verdes).

Sobremesa: Sophie prepara tortas de maçãs ou alguma outra coisa. Há chocolates em barra e algumas balas.

Paramos aqui em Enterprise onde tentaremos repor a água doce dos tanques. Há uma montanha de neve lá fora sobre as rochas. O Igor tem a incumbência de furar a primeira camada de gelo e sugar onde há bolsas de água. Coloca-se um funil ali por meio de mangueiras que é levada até o tanque.


Montanha a frente. Ao lado o veleiro Marie Pôr

Neva lá fora! caem floquinhos mais lentos do que a água que são cristais de gelo que vão se acumulando um pouco, sob o convés. Não há muito, então ela derrete.

Parado sempre é bom. O abrigo onde, atracamos o barco, não se mexe. Não há muito a se fazer lá fora, por isso deveremos passar bastante tempo, deste domingo, aqui dentro.

Depois do almoço, permanecemos um pouco no Kotic e depois em grupo, decidimos ir até uma pequena praia do lado, mesmo com neve e chuva. Entenda-se praia um local de pedras planas.


Focas Peleteiras


Na dita prainha, há uma ponta de pedra onde havia uma família de foca Peteleira, algumas Skuas e Sterns, que são pequenas aves barulhentas.

Havia um ninho de Skua, com dois ovos, e quando nos aproximamos, elas voaram expulsando-nos. Na verdade, esses ovos já deveriam ter virado filhotes. Também há de estranho que não há grandes fontes de comida ali para eles. Em suma, está tudo errado. Quando saímos de perto, eles voltaram pra chocar os ovos. Podem ser um casal novo.

As focas Peleteiras são bem engraçadas. Para se ter uma idéia, são elas que, víamos no circo com uma bola no nariz. Elas ficavam o tempo todo se exibindo para nós.

A montanha em que estamos tem muita neve. Andei por ela e você acaba afundando quase até o joelho. Ela é soft. A noite topei uma partida de buraco com o Fernando, Ricardo e Igor. Jogamos até umas 24:00hs.
Frio...muito frio

Lá fora tem certa claridade, ainda.




Boa navegação a todos!

Capitão Gutemberg.
Comandante da Embarcação Odyssey.

Plano de Contingências para Expedição à Antártica - 2011

Diário de Bordo em 18 de outubro de 2011

Fui consultado outro dia por um amigo que está indo em mais uma expedição para a Antártica com o Oleg, a bordo do Kotic, sobre a documentação necessária para autorização do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Proantar e Ministério das Relações Exteriores para viagens ao continente gelado. Assim, decidi colocar aqui o Plano de Contingências que montei para nossa expedição e que foi encaminhado para esses órgãos.

Caso alguém necessite de cópia, não terei problemas em encaminhar.

Aqui no blog perdeu a formatação, mas creio que ainda sim poderá ajudar aos interessados. Caso tenham interesse, entrar em contato com meu e-mail abaixo:




Plano de Contingências

Expedição Antártica



BYE BYE ANTÁRTICA.

21/09/2010


C O N T R O L A D O

Documento de caráter controlado







INTRODUÇÃO

Movidos pelo espírito de aventura e desejo de preservação, um grupo de brasileiros unidos por interesses comuns sobre o continente Antártico, se reuniu com a finalidade de organizar uma expedição à essa região. A expedição turística, denominada BYE BYE ANTÁRTICA, está alugando uma embarcação apropriada para navegação polar, chamada KOTIC, da empresa POLARIS, INC, com respectiva tripulação. Esse barco já foi por mais de 25 vezes para a região polar desde 1984 e por sete vezes para a Ilha Geórgia do Sul, tendo seu comandante grande conhecimento da região navegada.

A expedição BYE BYE ANTÁRTICA contará como apoio na gestão de riscos da viagem, dos serviços da Origem® Gestão de Riscos, que terá como finalidade o suporte de comunicação e monitoramento de toda expedição durante as 24 horas do dia além de todo o estudo e planejamento da expedição.

Esse serviço busca assegurar os objetivos da expedição bem como o bem estar e a incolumidade de todos os participantes. Ficará também como responsável em acionar os meios necessários nas situações que fujam do planejado, buscando as soluções possíveis.

Para isso apresenta um estudo de eventos possíveis probabilizando-os e identificando suas origens e determinando ações para mitigá-los.

O presente Plano de Contingências é anexo do Formulário de Solicitação – Atividades Turísticas e não Governamentais na Antártica – Notificação Prévia e Avaliação de impacto ambiental.



1. FINALIDADE DA EXPEDIÇÃO

A finalidade da expedição será reconhecer e registrar fotograficamente ambientes e fauna naturais da Antártica, “o último continente”, buscando sua preservação através da força da fotografia na conscientização ambiental e ecológica das pessoas. Conhecimento através da navegação de baias na Península Antártica.



2. OBJETIVOS DO PLANO DE CONTINGÊNCIAS

2.1. Possibilitar o maior controle possível da operação através da estimativa dos riscos potenciais e reais.

2.2. Proporcionar segurança para os integrantes da expedição bem como para a tripulação destacada.

2.3. Atingir os objetivos determinados da expedição.

2.4. Facilitar a modificação do planejamento, com a inclusão de novos dados, se necessário



3. REFERÊNCIA

Formulário de solicitação para atividades turísticas e não governamentais na Antártida – notificação Prévia e avaliação de impacto ambiental.


4. CONCEITO DA OPERAÇÃO

Realização de uma expedição à península Antártida no período compreendido entre janeiro de 2011 e fevereiro de 2011, durante o verão austral, com a finalidade de fotografar ambientes polares e vida selvagem (mamíferos, aves e peixes) sem aproximação e/ou perturbação de suas rotinas.

Desembarque e visitação em Estações Polares, desde que consentidas pelas autoridades competentes. Caminhadas pelas áreas permitidas.



5. MEDIDAS ADMINISTRATIVAS DO PLANO DE CONTINGÊNCIAS

5.1 Base Operacional de Rastreamento Origem® Gestão de Riscos:

• Haverá a necessidade de a Base Operacional permanecer 24 horas durante toda expedição como ponto de concentração de dados e necessidades via celulares satelitais ou de ondas e comunicação via rádio.

• Prefixo da estação de Contato em Campinas/SP: PU2TIO / PX2Y2891 – Operador José Roberto Silva.

• Contatos via rede-rádio nas seguintes horas: 08:00 hs – 12:00 hs – 20:00 hs.

• Operação de monitoramento da expedição via comunicação satelital. Todos os dados serão lançados em controle próprio propiciando a confecção do competente relatório pós-expedição.

• A Base Operacional servirá de Centro de Gerenciamento de Crises e informações quando/se necessário.

• Permanecerá cópia deste Plano de Contingências em backup na Base Operacional.



5.2 Transporte:

• O comissionamento dos integrantes da expedição irá ocorrer no porto de USHUAIA/ARGENTINA, onde serão embarcados com destino à Península Antártida.

• A embarcação utilizada será o veleiro oceânico KOTIC, alugado junto a POLARIS, INC.

• A POLARIS INC se encarregará de fornecer a embarcação com seu Comandante, Imediato e Intendente devidamente habilitados para viagens em regiões polares, especificamente a Antártida.

• O comandante da embarcação será o capitão OLEG BELY. Suas qualificações seguem na Planilha ‘Anexo III – Formulário Antártica Padrão’ em anexo.

• Deslocamento até o porto mencionado acima será de avião, via rotas comerciais, a custos individuais e pessoais, sendo certo de que fica determinado como Ponto de Reunião Próximo ao Objetivo (PRPO) o porto de USHUAIA/ARG, onde todos deverão se reunir em 22Jan11.

• O descomissionamento da expedição será realizado no porto de USHUAIA, logo após o atracamento da embarcação.

• Como porto de apoio em casos de impedimentos no principal, fica estabelecido o Porto Willians/Chile como opção “B”.



5.3 Meios de Comunicação

• Telefone satelital Iridium, com grib files e programa Gribplot/Xgat de previsão meteorológica embarcado para comunicação entre embarcação e Base Operacional nos horários determinados.

• Fica determinado como horários de comunicação: 08:30 hs – 12:30 hs – 20:30 hs – 24:00 hs

• Mensagens: deverão se restringir a passar:

 Condições da tripulação e embarcação;

 Condições do tempo;

 Localização;

 Tempo estimado para próximo ponto de navegação.

• Contatos via rede-rádio:

 Prefixo da estação de Contato em Campinas/SP: PU2TIO / PX2Y2891 – Operador José Roberto Silva.

• Fica determinado como horários de comunicação: 08:00 hs – 12:00 hs – 20:0 hs.

• Mensagens: deverão se restringir a passar:

 Condições da tripulação e embarcação;

 Condições do tempo;

 Localização;

 Tempo estimado para próximo ponto de navegação.

• Durante os desembarques serão utilizados rádios VHF entre a embarcação principal e os botes auxiliares que não deverão se afastar mais de 500 metros da embarcação principal e permanecer a maior parte do tempo em alcance visual.

• Cada bote auxiliar empregado será liderado por um integrante com suficiente capacidade técnica para tal.

• Poderá haver o emprego de internet para comunicação com a Base Operacional e familiares, onde os sinais permitirem. O comandante definirá esses lugares ao longo da expedição.



5.4 Acessórios

• A embarcação é preparada e pronta para navegações polares e equipada com todos os equipamentos necessários à expedição.

• Luz de Emergência e lanternas individuais.

• Monitorado pela Base Operacional em Campinas/SP.

• Equipamento de proteção individual (EPI) a cargo de cada integrante além dos disponibilizados pela embarcação;

• Equipamentos de proteção pessoal contra temperaturas a cargo de cada integrante e de acordo com relação fornecida em reuniões preparatórias;

• Energia elétrica e água da embarcação;

• Bote auxiliar da embarcação;

• Refeições e bebidas da embarcação. Alimentação embarcada para um ano mínimo.


5.5 Pessoal

• Dados e qualificações no anexo III;

• Comandante da embarcação: Capitão Oleg Bely;

• Chefe da Expedição: Gutemberg Felipe Martins da Silva;

• Chefe de Segurança: Benedito Durval dos Santos Junior

• Intendente: Sophie Oleg

• Chefe de Comunicação: Maristela Colucci

• Chefe dos grupos de fotografias: André Cernaglia Cerdeira

• Saúde Médica: Igor Micheli Bely



5.5.1 Perfil e Qualificações

• Os integrantes deverão ser voluntários e responsáveis por suas custas pessoais e cota no aluguel da embarcação;

• Os integrantes deverão ter conhecimentos no uso dos equipamentos de comunicação embarcado, telefonia satelital, internet e rádio e informática;

• Possuam qualificações náuticas para cumprir as missões inerentes à faina diária embarcada;

• Possuam qualificações de interesse para os objetivos da expedição, como fotografia, navegação, saúde, segurança.

• Tenham disponibilidade de tempo necessário para a expedição e reuniões preparatórias;

• Sejam proativos, flexíveis e cumpridores de ordens.



5.6 Diversos

• Ficará ECD orientações médicas José Roberto Silva, Enfermeiro especializado em atendimentos de emergências (Resgates), Coren-SP 97.802 em apoio a tripulante habilitado.



6. SITUAÇÕES ADVERSAS E OPERACIONAIS


6.1. MAU TEMPO NAVEGANDO:

• Antes da travessia será considerada a tomada de meteorologia e acompanhamento de avisos alerta de duas em duas horas para aguardar uma abertura de tempo (janela de tempo) que permita a travessia sob condições normais (para o local em tela – Cabo Horn) considerando um período mínimo de quatro dias e máximo de seis.

• Se durante a travessia houver mudança brusca das condições meteorológicas que não houver sido detectado e alertado pelas autoridades marítimas, navegar-se-á capeando até melhora do tempo

• Em navegações interiores à Península Antártida existe mais de 50 pontos conhecidos para abrigo que serão usados. Todas as mudanças na derrota serão lançadas em diário de bordo e anotadas para relatório final da expedição.

• Durante o período de mau tempo não serão feitas manobras ou deslocamentos.



6.2. MAU TEMPO EMBARCADO FUNDEADO:

• Todos os que estiverem a bordo permanecerão, não recebendo autorização do comandante ou em sua falta do chefe de segurança para desembarque;

• Orientar-se-á a todos que não estiverem em seus quartos de hora a permanecerem em seus camarotes deitados, aguardando a melhorar do tempo;

• Em caso de emprego do bote auxiliar o mesmo será empregado alagado para não decolar, dentro da velocidade máxima de vento considerada segura.



6.3. MAU TEMPO EM TERRA:

• Todos os que estiverem em terra lá permanecerão sob o comando do chefe de equipe ou maior graduado até melhoras do tempo;

• Deverão procurar abrigo em terra assim que desembarcarem, ainda com tempo bom, para em caso de mudanças saberem onde se abrigarem;

• Os integrantes da expedição que se encontrar em terra deverão obrigatoriamente permanecer agrupados para controle e aquecimento mútuo;

• Em casos de extrema necessidade de deslocamento sairão em grupo mínimo de três pessoas, com a devida avaliação do chefe;

• Prioridade para resgate:

• Pessoas;

• Equipamentos pessoais (máquinas fotográficas);

• Equipamentos outros.

• Deverão ser anotadas as coordenadas do local onde foram abandonados equipamentos para posterior resgate.



6.4. USO DE BOTE AUXILIAR EM MAU TEMPO:

• Só será permitido o emprego dos botes auxiliares dentro das condições consideradas seguras (vide tabela abaixo);

• Em casos de necessidades os botes deverão operar semi-alagados para não decolarem com o vento;

• Deverão estar equipados com combustível suficiente em tanques estanques, mantas térmicas, bolsa de primeiros socorros e comunicador.



6.5. TABELA DE CONDIÇÕES DE VENTO X ATIVIDADES:

TEMPO VELOCIDADE DO VENTO (nós) CONDIÇÕES

BOM 0 - 20 MONITORAMENTO

REGULAR 21 – 40 ATENÇÃO

RUIM 41 - 60 CRÍTICAS

FECHADO > 60 SEVERAS



6.6. NECESSIDADES DE EVACUAÇÃO:

• Em casos de necessidade de evacuação do ambiente, será procurado abrigo e feita comunicação com a Base Operacional da Origem® Gestão de Riscos informando situação e contato via rádio com autoridades.



6.7. TRATAMENTO DE FERIDOS:

• A embarcação KOTIC está equipada com toda infra-estrutura necessária para atendimentos de emergências e em casos de maior gravidade solicitar via equipamentos de comunicação global o resgate do ferido.

• Será considerada a necessidade de exames médicos preventivos aos participantes.



6.8. ACIDENTES DE MAIOR GRAVIDADE:

• Serão acionados os meios necessários de resgate via seguradora.



6.9. NECESSIDADES DE RESGATE:

• Em casos de sinistros da embarcação principal será comunicado a Base Operacional da Origem® Gestão de Riscos para os contatos necessários em terra e com a seguradora e as autoridades necessárias.


7. ANEXOS

Anexo 01 – Estudo de Cenários e Probabilização de eventos

ANEXO 01

ESTUDO DE CENÁRIOS E PROBABILIZAÇÃO DE EVENTOS



Matriz 01: Matriz de eventos Selecionados

OBS: A matriz que trata este anexo não foi copiada para garantir propriedades intelectuais. Caso queira cópia entrar em contato com meu e-mail: gutemberg@origemconsultoria.com.br

Fonte: Origem® Consultoria em Gestão de Riscos



Matriz 02: Matriz de Impactos Cruzados

OBS: Idem

Fonte: Origem® Consultoria em Gestão de Riscos



Análise:

Embora os estudos mostrem certas probabilidades consideradas altas, o Plano de Contingência tem como finalidade precípua determinar medidas de ação para mitigar ou neutralizar esses riscos.

Os índices servem como parâmetros para se determinar os níveis de controles adequados a cada atividade pretendida. Para isso, consideramos como linha de corte de segurança 40%.

Assim sendo, permanecem acima dessa linha os seguintes riscos:

Matriz 03: Avaliação de Riscos acima da linha de corte


Nº RISCO Pb AÇÃO - OBS: idem

 

01 Mau tempo embarcado 79 Acompanhamento em intervalos de duas horas da meteorologia e abertura de janelas de tempo para navegações em águas abertas

02 Acidentes pessoais 51 Evitar operações e deslocamentos durante navegações em águas turbulentas e ações que o integrante não esteja familiarizado. Chefe de Segurança se encarregará de acompanhar e avaliar cada atividade.

04 Desvio de rota acidental 46 Triplicidade de equipamentos de orientação e acompanhamento por cartas marítimas. Equipamentos com fontes de energia independentes (pilhas).

08 Afundamento de bote auxiliar 43 Emprego de equipamentos de salvamento individuais durante o uso dos botes. Operação por integrantes que tenham habilitação de no mínimo Mestre e com experiência comprovada no tipo de equipamento e nas áreas polares.

11 Extravio de integrante em terra 44 Proibição de atividades individuais que incorram em afastamento de pontos fixos ou da equipe. Emprego da metodologia de equipes mínimas de duas pessoas. Emprego de rádio comunicador para cada equipe.

Fonte: Origem® Consultoria em Gestão de Riscos

OBS: idem

Com a matriz acima, identificamos aqueles riscos que inspiram maiores cuidados e determinamos cuidados e ações para conduzi-los abaixo da linha de corte.

Cabe esclarecer que em 25 expedições, a equipe de tripulantes nunca teve uma série de eventos tão crítica quanto a desenhada no presente estudo, mas a finalidade desse rigor é determinar o pior cenário para que haja suficiente capacidade da equipe em se safar de situações menos críticas.



Campinas, SP em 12 de outubro de 2010.

Gutemberg Felipe Martins da Silva

Chefe da Expedição Bye Bye Antártica



É isso, então...

Boa navegação a todos!

Capitão Gutemberg.
Comandante da Embarcação Odyssey.