segunda-feira, 28 de julho de 2008

Diário de Bordo - 30 de Dezembro de 2007

Diário de Bordo - 30 de Dezembro de 2007

Estávamos Rita, Gutinho, João Pedro, Patrícia - namorada do João, o Tosco e eu a bordo do Rei dos Reis. Íamos passar as festas de final de ano nele e talvez até iríamos ver a queima de fogos pelo mar.

Tínhamos chegado na marina dia 29 e estávamos muito felizes e alegres. No dia 29 programamos um pequeno cruzeiro até Ilhabela. Realizei os preparativos nesse dia para não atrasar nossa saída no dia combinado.

Por volta das 08:00 horas zarpamos, deixando para trás o Canal de Bertioga com a ilha Montão de Trigo em nossa proa. Dali corrigimos nossa perna para a ilha de Toque-toque (a do farol) e entramos no Canal de Ilhabela.

Estava um dia maravilhoso. Sol, mar calmo, pouco vento ou quase nenhum. Como estávamos no lado do continente, o Tosco e o Gutinho que estavam no fly avistaram uma pequena praia deserta a nossa esquerda, ou seja, no continente. Depois identifiquei como sendo a Brava.

Mudei a rota, pois a derrota inicial era demandar a ilha das Cabras e nos aproximamos dela. Linda é pouco para descrever o que vemos ao chegar a uma praia vindo do mar. Só quem navega (a motor ou a vela) é capaz de entender o que falo. É outra coisa. Felizes os marinheiros e marujos...

A praia é de tombo e por prudência, paramos a uns cinquenta metros da areia, com 8 metros de profundidade. Lançamos âncora e ficamos embasbacados com a expressão de tamanha bondade de Deus!

Não demorou ouvi um "uuhhuuuuu" e tigum... Lá se foi João Pedro, Tosco, Gutinho e ... Patrícia (espero que seus pais não leiam isso...). Que 8 metros que nada. A água que aparentava uma cor azul escura (eram quase 10 horas e o sol ainda não havia aprumado) mostrou-se completamente e absolutamente transparente.

Não teve jeito...lá fui também (após me certificar de que a âncora havia de fato unhado a tensa de areia, aumentar o rádio - VHF, claro! - fechar as janelas mais baixo, verificar se a escada da popa estava baixada - trauma daquele filme em que todo mundo pula na água e depois não conseguem voltar ao veleiro...o trauma e tanto que até me esqueci do nome. Se alguém se lembrar, manda um comentário, ok!).

Bom, ali ficamos por aproximadamente uma hora e retomamos nossa rota até a ilha das Cabras. O plano era ficar lá e fazermos um churras de matar todo mundo na areia de inveja e de fome...hahahahaha! Não deu certo. A âncora demorou a unhar. Ficava agarrando e nada. Depois, dado o grande movimento de embarcações por ali, o Rei dos Reis fica chacoalhando demais. Ia dar enjoo em todo mundo... decisão democrática - deste Capitão - voltarmos à Brava.

Sábia decisão. Retornamos e ali ficamos, churrasqueamos, fomos a praia (aliás, queimei meus pés na areia branca e incandescente), nadamos e tudo o mais.

Pelas 16:00 horas decidimos retornamos. Quando cheguei na Brava pela primeira vez, realizei o primeiro check na embarcação: nível de combustível, casa das máquinas, vazamentos, visualizei toda a estrutura externa do casco. Diagnóstico: Tudo Ok! Na ilha das Cabras fiz a segunda checagem. Ok! Ali na Brava novamente fiz a terceira checagem e tudo Ok!


Saímos e retornamos pela mesma rota em seu contra-azimute e demandamos o Canal de Bertioga por volta das 17:30 horas. Já bem próximo de sua foz, o motor de BE começou a apresentar falhas, típica de pane seca...ôôh! Tinha certeza de minhas checagens. Não podia ser combustível. Ai a coisa fica feia, pois então poderia ser algo mais grave...

O dito motor parou por completo, baixei o manche para não forçar o de BB e toquei. Abri um pouco a rota de entrada para pegar um "jacaré" nos marolões que me empurraram para dentro do canal.

Quando chegamos a foz do rio Itapanhau o motor de BB começou a apresentar o mesmo sinal. Liguei para o Adailton, na marina e o avisei que provavelmente não chegaria lá.

De fato, logo depois esse motor também parou, mas dentro do canal é outra coisa. Estamos em casa. Depois de algum tempo - não pouco, não antes de um grupo dentro de uma super-mega-hiper lancha passar a toda perto de nossa embarcação ancorada e sinalizada e quase mandar-nos para dentro do mangue - e ainda ficou bravo com meus protestos - o Adailton apareceu e nos rebocou até a segurança da marina.

Ia tudo bem até o Adailton apontar o céu...já era tarde, mas estava negro e começou a cair um aguaceiro de dar medo. Raios pra todo lado e água que descia. Para encurtar, até capote para dentro da água de jaqueta e tudo eu tomei. Mas confesso, foi divertido!

Bom, dia seguinte dia de reparos. Passei o último dia do ano - 31 de Dezembro - sangrando os motores do barco. A conclusão foi de fato "pane seca". Apesar de ter ainda um quarto de

tanque, o pescador - alusão ao caninho que puxa o combustível de dentro do tanque e manda ao motor - estava alto e não alcançava essa quantidade toda.

Fiquem tranquilos meus querido passageiros e convidados, esse problema foi imediatamente corrigido e já testei indo novamente à Ilhabela. Tudo Ok!

Ficam as lições aprendidas: não basta apenas checar os itens conhecidos, é necessário conhecer TODAS as particularidades de sua embarcação...pena que na maioria das vezes só vamos conseguir isso a cada novo defeito...

Boa navegação a todos!!

Capitão Amador Gutemberg
Comandante da embarcação Rei dos Reis