sexta-feira, 5 de junho de 2009

Revista Náutica

Diário de Bordo em 05 de junho de 2009

Lembrei-me de um fato.

A revista Náutica deste mês, em sua área editorial, traz uma matéria de seu editor, que nem me lembro o nome, falando sobre o emprego dos termos náuticos e de tradição marinheira. Na verdade ele está criticando seu uso, dizendo que não vê necessidade de usá-los.

Ao invés de Boreste, por que não direita, ao invés de popa, atrás (ou trás), cabo por corda, adernar por tombarou inclinar, calado por profundidade. Enfim...tudo para facilitar...o quê???

Veja, já fiquei admirado de ver que um editor de uma revista que se chama Náutica, quer abolir os termos próprios do mar (ele ainda diz que usá-los faz parte daqueles que tem o mar como profissão e que são obrigados a ali estar e não a lazer...) para os marinheiros amadores.

Veja você que disparate. Creio que seria interessante à esse Senhor (nunca um cavaleiro) procurar ser editor quem sabe de um gibi infantil.

O emprego dos termos náuticos no meio amador é uma deferência às tradições marinheiras de séculos. Isso é que torna interessante essa prática. Isso é que estimula e diferencia essa de outras práticas.

Linguajares característicos existem em todas as profissões e áreas. Veja no futebol: dar um voleio (invés de ginga), um chapéu (ao invés de jogar a bola por sobre o oponente), drible (ao invés de passar pelo oponente), carrinho (jogada perigosa onde um adversário escorrega com os pés à frente para tirar a bola do outro), cabeçada (ao invés de jogar a bola com a cabeça), corner ou escanteio (ao invés de canto).

Quando começamos a nos familiarizar com os termos do Mar, nos sentimos envolvidos pela atividade e incluídos nela. É fantástico para os amantes do Mar, saber diferenciar, sem a obrigação daqueles que estão ali por obrigação, o significado de cada termo e responder a altura. Faz parte do meio. Quem não quer saber ou falar sobre isso, não deve se envolver com isso.

Imagina em um veleiro oceânico o Capitão ter que dar suas ordens em linguagem coloquial.

"Sobe essa vela maior...não a outra...maior...puxa essa m.. logo!!! pega aquela corda vermelha e passa no pino de trava ali....enrola nessa roldana essa corda e enrola...abaixa tudo por que o vento vem vindo da esquerda, quase que de trás...vira só um pouquinho para a esquerda..

Bom, dá para imaginar o que aconteceria, não. Apesar que as vezes ouvimos alguns inciantes tendo alguma dificuldade com os termos. Isso é certo. Mas faz parte do processo de aceitação, do batismo, da iniciação dele. Ele também terá um prazer inenarravel quando ouvir e for ouvido.

Sr Editor, ao acaso já ouviu seu filho falando em linguajar de esqueitistas: sk8! Já viu como eles se sentem incluídos...

Em sua própria profissão, me parece que foca não é exatamente um ser marinho, não é????

Meu espanto e indignação é o fato de ser o editor de uma prestigiada revista da área.

Pensei em escrever para a revista, mas ainda não me decidi a respeito disso, mas também não desisti.

Acabei de escrever lá! Dei um tempinho aqui fui lá e mandei braasa, Deixei meus protestos registrados.

No mais...

Boa navegação à todos!

Capitão Amador Gutemberg
Comandante da embarcação Rei dos Reis

Um comentário:

  1. Olá Sr Capitão!!!!

    Concordo contigo, a questão da pertença é de fundamental importância quando nos vemos envolvidos numa atividade significativa. Podes acrescentar neste teu comentário a questão da identidade que se forma, porisso a importância da utilização dos termos naúticos, é estar numa determinada "tribo" enão em outra. Muito propicio o exemplo que trazes so sk8, também podes acrescentar dos internautas com todo um vocábulário exclusivo.

    Abraços fraternos

    Rosangela

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