sexta-feira, 22 de janeiro de 2016



Diário de Bordo em 06 de janeiro de 2016

Sem sombra de dúvidas janeiro é o mês de retornar ao blog.

Esse negócio de facebook acaba com os bloggers. Tudo rápido mas sem o romantismo de escrever de fato.

Minha última postagem foi sobre a navegada que iria fazer no catamarã D 2 de nosso amigo Armando de Bertioga/SP até Itajaí/SC. é sobre ela que vou escrever aqui hoje.

Saímos no dia 03ABR15 por volta das 09:00 horas da Marina Tropical, no canal de Bertioga/SP. Capitaneando a nau o Comandante Armando e como tripulantes o marinheiro Gaúcho, um amigo do Armando de Itajaí, os Chefes Escoteiros do Mar João Pedro, Wladimir e eu, todos do 102º Grupo Escoteiro do Mar Velho Lobo de Campinas.

Acertado com o Armando, fizemos um Cruzeiro Escoteiro do Centenário, para comemorar, tardiamente, o centenário do escotismo paulista, completados em 29 de novembro de 2014. Na programação estava rever na prática os conceitos passados no Curso Técnico da Modalidade do Mar (CTMar) onde o Wladi foi nosso aluno, realizar um contato oficial entre os Coordenadores Regionais da Modalidade do Mar (COREMAR) dos Estados de São Paulo (eu) e de Santa Catarina (Chefe Plácido Marcondes) e demais Chefes e escoteiros do mar de SC que estivessem por Itajaí.

Assim, na saída, realizamos o hasteamento da Bandeira da Modalidade do Mar, ao som do Apito Marinheiro, em pleno Canal de Bertioga, sob olhares atentos de navegadores locais.


 Na boca do canal, subimos a mestra e tomamos o azimute 214° e navegamos com a Ilha de Santo Amaro em nosso través de Be. Foi um desfile de pequenas e conhecidas ilhas...até passarmos pela Ilha do Farol, hoje conhecida como Ilha da Moela, nome de nossa Tropa Sênior. Logo após a foz do Canal de Santos e seguimos direto.... ao fundo ainda se via a fumaça do incêndio no terminal de combustível de Santos, que continuava ardendo.

O tempo estava nublado e o mar levemente encarnerado...vento entrando pela alheta de Be. Perfeito. Um bom Capitão sempre tem suas manias e com o Armando não é diferente. Ele veleja motorando ora com a máquina de Be ora com a de Bb (3 horas cada), o que é suficiente para aumentar em três ou quatro nós a navegação e ao mesmo tempo não atrapalha criando ou aumentando o vento aparente.


Velejar é ótimo. Na verdade é mais que ótimo. É bom pra caramba. Você trabalha o tempo todo, alguns descansam. Puxa seu turno de noite e acorda feliz.





A navegação a vela é o próprio "Estado da Arte" em termos de navegação. Navegar a motor é maravilhoso. Você faz a derrota e a segue se grandes contratempos (ventos, correntes, etc), mas na navegação a vela a coisa muda totalmente de figura. A faina é diferente. O espírito da tripulação é diferente. Quando você caça uma vela, independente do modelo de embarcação, você volta no tempo e se iguala a todos os outros marinheiros da história que labutaram contra o vento e pelo uso da força física se fizeram navegadores.

Navegar a vela também é muito divertido, por que embora exija alguma condição física - o que é bom - você sempre encontra tempo para fazer algo fora do contexto das fainas próprias de vela. É ai que surgem os nós, as amarras, as pinhas, as cruzetas e toda sorte de trabalho manual com cabos.

Nossa navegação foi absolutamente tranquila. Quando começou a anoitecer cada um foi se adequando à queda da temperatura...alguns mais e outros menos. Ai você entende o significado da frase: "quem vai ao mar se avia em terra". Feliz ou infelizmente para os incautos, no oceano não existem shoppings. Quem levou usa, quem não levou se coça como pode.



A noite chegou silenciosa, como havia de ser...estávamos passando pela cidade de Cananéia (aproximadamente) pelo nosso través de Be...já não se via luzes, somente a lua como companheira de nossa empreitada.









Pela manhã o que se via era mar...como cantam os Escoteiros do Mar: "é sempre o mesmo mar o nosso grande amigo, é sempre a mesma Pátria o nosso imenso amor".













E de vez em quando, como durante a noite, aparecia algum amigo...


A Navegação te proporciona momentos como esses...






















Em Itajaí encontramos os Escoteiros do Mar de lá e foi uma festa.



E aproveitamos para deixar nosso grande e fraternal abraço ao grande Chefe Plácido Marcondes (Camisa branca, boné branco e bermuda cinza) que era o Coordenador Regional dos Escoteiros do Mar de Santa Catarina, falecido a pouco mais de um mês, vítima de um câncer contra o qual lutou até o fim respeitando a 8ª Lei Escoteira que nos diz que "O escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades".





Aos irmãos de ideal de Santa Catarina nosso imenso abraço de gratidão pela hospitalidade de nos receber tão bem.


Nosso Cruzeiro Escoteiro do Centenário foi um grande sucesso e esperamos em breve fazer outros.

A tripulação:




 Capitão Armando

 
 


 
 



 Gaúcho. O Imediato e Fiel Escudeiro do Capitão
 
 

O amigo de Itajaí que subiu para Bertioga para descer navegando conosco


 Chefe Escoteiro do Mar João Pedro
 


Chefe Escoteiro do Mar Wladimir
 


Chefe Escoteiro do Mar Gutemberg






 

Bons Ventos!
Boa navegação a todos!
Capitão Gutemberg.
Comandante da Embarcação MS Tradição.