sábado, 6 de março de 2010

06 de março de 2010 - Está chovendo!

Diário de Bordo em 06 de março de 2010

Estamos no barco desde quinta-feira, dia 04 de março. O tempo não prometia grandes coisas, mas ao menos estava quente. Ontem, 05, ficamos com um dia bastante agradável. Apesar do céu encoberto, não choveu e a noite, quando saímos para jantar, estava quente e haviam estrelas no céu.

Os meninos estavam programados para virem depois a faculdade. Isso significava dizer que sairiam de casa por volta das 22:00 horas. Na verdade, liguei para o Gutinho as 00:30 hs e eles estavam indo buscar a Nathalie. Tinham acabado de pegar a Patrícia. O Tosco viria dirigindo até a Capital (SP) e ele assumiria o volante desde então até chegar aqui.

Bom, com eles na estrada a noite foi em intervalos de sono. A cada movimento do barco imaginava que poderiam ser eles. Chegaram já eram 04:30 hs. No relógio de meu celular. Imaginei escrever: quando chegaram os ponteiros do relógio já mostravam 04:30 hs. Ficaria mais romântico, mas os ponteiros dos relógios estão desaparecendo, cedendo espaço aos numerozinhos digitais das máquinas de tempo, dos celulares, palms, smartphones e até de seu próprio laptop...o tempo, implacável tempo.

Logo depois deles terem chegado comecei a ouvir mais alguém chegando. Não era convidada, mas veio. Seus passos saltitantes no convés são inconfundíveis para qualquer homem do mar, por mais ou menos tempo de mar...a chuva se estabeleceu de forma grossa e cadenciada. Um pouco mais e sumiu, para reaparecer posteriormente e assim se repetir por diversas vezes. Ao menos até agora. São 08:56 hs no relógio de meu laptop.

Por volta das 06:00 hs o barco deu um solavanco. Pulei da cama e corri para o casario, saída para a parte externa do barco. O vento também tinha chegado e começou a chacoalhar o barco que bateu no flutuante levemente. Mas suficiente para o barco ir de um lado ao outro. Saí para fora com a chuva descendo. Estava fria. Fui até a proa e cacei o cabo para afastar. Fui até a popa e trancei os cabos em "X". Melhorou.

O mar é muito romântico. Mas dá muito trabalho.

Quando vc comanda um barco, sua responsabilidade não cessa. Se for o caso de ficar a noite toda acordado, voce tem que ficar. Não tem para quem repassar a responsabilidade. É bonito mas ao mesmo tempo é um peso.

Costumamos ver as fotos dos barcos sempre em águas tranquilas, cristalinas. Não é sempre assim.

No mar, o mais interessante é justamente essa alternância. Você começa um dia de uma forma e raramente termina igual. O mar é vivo. O vento é vivo. Reagem em relação ao movimento da Terra. O vento se forma em função (muitas vezes) do aquecimento da massa de água do mar. Formam os tais Centros de Alta Pressão ou Centro de Baixa Pressão. Por sua vez, o mar acaba influenciado pelo vento que passa sobre ele, gerando as ondas. Vivo.

Incrível. Aqui no barco eu durmo muito bem. Sem contudo esquecer de tudo que está lá fora. Um balanço a mais e já acordo. Em casa não é assim.

Bom, o cardápio para hoje era marisco lambe-lambe. Como veio mais gente para cá e está chovendo, fica apertado para fazer. Não tratamos desse assunto ainda com o Alex, que é o mestre do negócio.

Ok. Resolvido. Fui perguntar ao Alex e ele garantiu que dá para fazer o lambe-lambe...obaaaaa.

Vou sair agora por que terei que ir até o Perequê comprar algumas coisas que faltam para o prato do dia.

Depois posto algumas fotos, ok?

Então...

Boa navegação à todos!

Capitão Gutemberg
Comandante da Embarcação